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Fenômeno co-op: Big Walk supera gigantes AAA e torna-se o jogo mais bem avaliado de 2026

Por Douglas Marques
10/08/2026
8 min

Um jogo cooperativo sobre caminhar, se comunicar e passar tempo com os amigos acaba de se tornar, oficialmente, o título mais bem avaliado de 2026. Big Walk, lançado pelo estúdio australiano House House — criadores de Untitled Goose Game —, chegou aos 94 pontos no Metacritic, superando lançamentos gigantescos da indústria.

O jogo foca no companheirismo, na comunicação e na bobeira de caminhar e explorar com amigos.

O jogo foca no companheirismo, na comunicação e na bobeira de caminhar e explorar com amigos. (crédito: Unsplash / CC0)



Big Walk, lançado em 4 de agosto pelo estúdio australiano House House — os mesmos criadores do fenômeno de vendas Untitled Goose Game —, chegou aos 94 pontos no Metacritic, superando lançamentos AAA muito mais badalados, como Forza Horizon 6 e Mina the Hollower.

O que é o Big Walk



A premissa é simples de descrever, mas difícil de categorizar: até 12 jogadores exploram juntos um mundo aberto cheio de quebra-cabeças e descobertas, precisando ficar em contato usando diferentes ferramentas e brinquedos espalhados pelo cenário. O detalhe mais interessante do design é o que acontece quando a comunicação falha: em determinados momentos, os personagens ficam "sem voz", forçando o grupo a inventar novas formas de se comunicar e gesticular para continuar avançando.



Segundo a descrição oficial do jogo, a aventura também reserva espaço só para relaxar — sentar e assistir ao pôr do sol, ou roubar o binóculo de um amigo e chutá-lo no oceano. É essa mistura entre desafio genuíno e momentos de pura bobeira compartilhada que virou a marca registrada do título.

Um "não" deliberado ao gênero que dominou o co-op



O mundo aberto do jogo é repleto de belas paisagens de vales e montanhas para contemplação.

O mundo aberto do jogo é repleto de belas paisagens de vales e montanhas para contemplação. (crédito: Unsplash / CC0)



As avaliações iniciais da imprensa não economizaram elogios: a Eurogamer deu nota máxima, descrevendo o jogo como uma aventura multijogador empolgante e profundamente recompensadora. A PCGamesN também deu 10 de 10, chamando-o de "um triunfo", enquanto a GameSpot atribuiu nota 9, rotulando-o como "um dos melhores cooperativos já feitos".



Para entender por que Big Walk causou tanto impacto, ajuda conhecer o contexto em que ele chegou. Nos últimos dois anos, os maiores sucessos multiplayer da indústria — como Lethal Company e R.E.P.O. — compartilham uma mesma estrutura de loops sem fim de tarefas repetitivas. Em meados de 2025, a comunidade de jogos batizou esse estilo de "friendslop" — jogos divertidos, mas com pouca ambição estrutural de história.



Big Walk nasceu de uma decisão consciente de nadar contra essa maré. Em vez de tarefas infinitas geradas aleatoriamente, o jogo foi desenhado como uma aventura com início, meio e fim — pensada para ser jogada até o final de forma marcante junto dos amigos.

Números que comprovam: não é só a crítica



O sucesso não ficou restrito às notas da imprensa especializada. No dia seguinte ao lançamento, o jogo atingiu um pico de 46.409 jogadores simultâneos na Steam, além de assumir o topo da lista global de mais vendidos da plataforma. Também entrou para o catálogo de jogos gratuitos do PlayStation Plus em agosto, o que deve inflar ainda mais o seu alcance.



Um detalhe chamou atenção de parte da comunidade: o jogo está disponível para PC, PlayStation 5 e Nintendo Switch 2, mas não tem versão para Xbox. Num momento em que a divisão de games da Microsoft atravessa uma reestruturação pesada e cortando milhares de empregos, ficar de fora do jogo mais bem avaliado do ano — por uma decisão da própria desenvolvedora — é uma ausência simbólica incômoda para o console.

De quem é o estúdio por trás disso



A desenvolvedora australiana provou que equipes pequenas e criativas conseguem bater de frente com orçamentos de milhões.

A desenvolvedora australiana provou que equipes pequenas e criativas conseguem bater de frente com orçamentos de milhões. (crédito: Unsplash / CC0)



A House House é um estúdio independente pequeno de Melbourne, na Austrália, que já havia conquistado reconhecimento mundial com Untitled Goose Game, o simulador de travessuras de um ganso que virou fenômeno cultural em 2019.



Big Walk já vinha sendo acompanhado de perto por fãs desde sua primeira aparição rápida no The Game Awards de dezembro de 2023, com um trailer focado em jogabilidade apresentado em junho de 2025 durante o evento Day of the Devs — mas a expectativa real só decolou de vez após as notas massivas de 10 de 10 da crítica antes da estreia.

O que essa história diz sobre os games em 2026



O momento de Big Walk também funciona como um contraponto interessante a outras tendências recentes do mercado. Enquanto uma fatia cada vez maior dos lançamentos da Steam recorre a conteúdo gerado por inteligência artificial para acelerar a produção — hoje já quase um terço de tudo que é lançado —, o jogo mais bem avaliado do ano veio de uma equipe pequena, sem esse tipo de atalho, apostando em design humano cuidadoso e em uma ideia autêntica.



Há também uma lição sobre escala: enquanto as grandes publicadoras cortam milhares de empregos tentando descobrir qual fórmula de franquia batida ainda vale a pena bancar com centenas de milhões de dólares, o jogo que dominou o ano veio de um estúdio pequeno o suficiente para caber, com folga, numa única sala de reunião de Melbourne, mostrando que qualidade, criatividade e sucesso de público andam de mãos dadas de formas que o dinheiro não consegue comprar.




Fontes: NME, Game8, Tech Times, Forbes, TheGamer, Metacritic, NeoGAF.
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Douglas Marques

Jornalista de tecnologia e editor do FuturoAgora.tech. Especializado em traduzir os impactos da inteligência artificial, avanços em física e ciência espacial de forma simples e acessível para o público brasileiro.

Dados do Artigo

✍️ Autor: Douglas Marques
📅 Publicado em: 10/08/2026
🔄 Atualizado em: 04/09/2026
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